Coronavírus e gripe: quais as diferenças e semelhanças?

Além dos sintomas, outras características do novo coronavírus se assemelham ao influenza – mas há muitas diferenças também. Saiba quais são elas

As similaridades entre o vírus Influenza e o novo coronavírus vão além dos sintomas iniciais.  | Ilustração: Marcos de Lima/SAÚDE é Vital

Você já deve ter ouvido falar que os sintomas iniciais da infecção pelo novo coronavírus (chamado de Sars-Cov-2) são muito parecidos com os da gripe – a SAÚDE até fez um texto sobre o assunto. Mas você sabe quais são as diferenças e similaridades entre outros fatores das doenças (formas de transmissão, letalidade, tratamento…)?

A família dos vírus da gripe e da Covid-19

A gripe é provocada pelo vírus influenza. Ele pode ser dos tipos A ou B, que são divididos em subtipos. O H1N1 é do tipo A, enquanto o Yamagata, do tipo B.

Já o agente por trás da Covid-19 faz parte da família dos coronavírus. Seus integrantes podem provocar de um simples resfriado até enfermidades como Sars e Mers, que provocaram muitas mortes no passado.

Como é a transmissão

Ambos se espalham por gotículas de saliva ou muco de infectados, principalmente através de tosse e espirros — ou ao passar a mão contaminada em olhos, nariz e boca. A diferença aqui é a capacidade de contágio.

Começamos pelo fato de que os períodos de incubação não são iguais. Enquanto a nova doença viral leva até 14 dias para começar a gerar sintomas (embora a média fique em torno de cinco dias), a gripe se manifesta após mais ou menos quatro dias depois da infecção. Em ambos os casos, pacientes assintomáticos são capazes de disseminar a enfermidade.

O novo coronavírus é considerado mais contagioso. Os estudos ainda não são categóricos, mas se estima que a taxa básica de reprodução (ou R0, como dizem os especialistas) varie entre 2 e 3, segundo a Organização Mundial da Saúde. Isso significa que cada portador passa a doença, em média, para outros dois ou três sujeitos. No entanto, pesquisas chegaram a atribuir um R0 de aproximadamente 6 para o Sars-Cov-2. De qualquer jeito, a quantidade é superior à do influenza, que fica em 1,2.

Quais são os grupos de risco

Os mais vulneráveis à gripe são crianças, grávidas, idosos, portadores de doenças crônicas e imunossuprimidos. A população de risco do coronavírus compreende os últimos três grupos citados, porém os pequenos parecem sofrer menos com o problema (embora possam transmiti-lo).

Qual é a taxa de letalidade

A mortalidade relacionada à Covid-19 parece ser maior. Até o momento, tivemos 214 mil casos confirmados e mais de 8 mil mortes no mundo. A taxa de letalidade fica em torno de 3 a 4%. O influenza, por outro lado, leva menos de 0,1% a óbito.

Mas há ponderações a serem feitas. A primeira é que a letalidade do Sars-Cov-2 varia de acordo com o local. E a segunda é que esse dado depende do acesso e da qualidade dos cuidados de saúde.

Vamos usar a própria China, onde o surto começou, como exemplo. Controlada a situação com quarentena e construção de hospitais temporários, o pico da epidemia passou e a taxa de mortalidade por paciente diminuiu – pelo menos por enquanto.

Vale lembrar que a gripe, para a qual temos medicamento, é estudada há mais tempo pelos cientistas. E isso também baixa a letalidade.

Por: Maria Tereza Santos | Fonte: revista Saúde é Vital

Experimento nos EUA testa eficácia contra coronavírus de milhares de remédios que já existem

A cada semana, cientistas fazem descobertas sobre novos medicamentos e entendem melhor como tratar pacientes em estado grave


Em laboratórios do mundo inteiro, a ciência está empenhada na busca incessante por um tratamento contra a Covid-19. Medidas como o isolamento social e o uso de máscaras, que diminuem a velocidade com que o coronavírus se espalha, ajudam a ganhar tempo para que as pesquisas avancem. E progressos estão acontecendo. A cada semana, cientistas fazem descobertas sobre novos medicamentos e entendem melhor como tratar pacientes em estado grave.

Na cidade que é o epicentro da pandemia hoje, cientistas da Universidade Columbia fazem um trabalho massivo. Um experimento está testando milhares de remédios que já existem para saber se algum deles é eficaz contra o coronavírus.

“Nós testamos algumas drogas que pareciam promissoras e estamos vendo que elas realmente funcionam. Agora estamos tentando expandir esses testes para todas as 16 mil substâncias que nós temos”, explica Alejandro Chavez, pesquisador.

O experimento já existia e buscava uma droga antiviral que pudesse enfrentar muitos tipos de vírus, como dengue, chikungunya, herpes, hepatite, HIV. O coronavírus só foi adicionado aos testes depois do início da pandemia. O que a equipe do Dr. Chavez faz é testar os remédios um a um, mas contra vários vírus ao mesmo tempo. Os medicamentos, que vêm de uma biblioteca de substâncias, vão sendo testados em tubinhos. Os pesquisadores continuam buscando um antiviral de amplo espectro, mas já começaram a separar algumas substâncias que se mostraram promissoras contra o corona – os chamados inibidores de protease.

O vírus induz a produção de uma proteína longa, que precisa ser cortada em pedaços para ele poder se multiplicar. O inibidor impede esse corte. “É, se essa quebra não acontecer, o vírus não consegue se replicar”, explica o pesquisador.

As substâncias que pareceram mais eficazes em laboratório já foram encaminhadas para ensaios clínicos. “Tem três ou quatro parecem realmente muito promissoras, então eu tenho esperança de que pelo menos uma delas tenha algum efeito em humanos”, conta o pesquisador.

No Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas, São Paulo, pesquisadores fazem uma experiência parecida. Desde janeiro, 2 mil substâncias foram testadas contra o coronavírus em um estudo patrocinado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Uma delas foi capaz de matar 94% dos vírus in vitro.

“Ela é de um preço bastante acessível e consegue ser produzida em grande escala. E inclusive existem formulações pediátricas dessa droga também”, afirma Antonio José Roque, diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais.

É um remédio genérico com poucos efeitos colaterais. E vai ser testado em sete hospitais militares, num ensaio clínico com 500 pacientes. Apenas a metade vai receber o remédio, para comparar o desempenho com os que não receberam. Mas o laboratório continua tentando identificar outras armas para a guerra contra a Covid-19.

“A gente tem uma batalha importantíssima para ser lutada agora, e esse remédio pode ajudar se der certo nos testes clínicos, mas você precisa de um coquetel”, explica Roque.

Enquanto não há um antiviral específico, os médicos tentam compreender melhor a evolução das doenças. A maioria dos infectados não tem sintomas, ou tem sintomas muito leves. Mas os casos graves da Covid-19 evoluem rápido, só que não da mesma maneira em todas as pessoas. E os médicos já estão aprendendo a identificar algumas dessas diferenças e a como tratar cada paciente. Veja na reportagem.

Pesquisa identifica medicamentos que podem combater o coronavírus

Sem nomes revelados, medicamentos acessíveis mostraram eficácia

Foto: Thomas Peter/Reuters

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) está testando medicamentos que podem auxiliar no combate ao coronavírus. A organização vinculada ao ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) está procurando substâncias que possam ser usadas contra o vírus SARS-Cov-2. A pesquisa acontece em substâncias já regulamentadas para uso no Brasil.

Segundo a pesquisadora Daniela Trivella, entre os 2 mil medicamentos analisados na primeira etapa de testes, dois mostraram resultados promissores. O CNPEM não divulga quais são para evitar automedicação. Porém, de acordo com Daniela, ambas as substâncias têm várias características que podem permitir o uso contra a doença. “São economicamente acessíveis, bem tolerados em geral, comumente utilizados por pessoas dos mais diversos perfis e, um deles, inclusive, está disponível em formulação pediátrica”, enumerou.

Estão sendo avaliados medicamentos dos mais diversos tipos: analgésicos, anti-hipertensivos, antibióticos, diuréticos entre outros. A pesquisadora explica que os experimentos feitos em laboratório buscam identificar substâncias que inibam a replicação do vírus dentro do corpo. “Passo fundamental para impedir ou reduzir a infecção viral”, enfatiza.

A partir dos resultados obtidos até agora, as duas substâncias que obtiveram bom desempenho continuarão ser testadas em células para novas avaliações. “Acreditamos que em cerca de duas semanas teremos os resultados que devem anteceder os testes clínicos”, acrescenta Daniela. Será feito, então, um relatório que reunirá as informações colhidas em laboratório com aquilo que já se sabe sobre os efeitos desses medicamentos em seres humanos.

Esse documento vai embasar testes clínicos, em pessoas infectadas com o vírus, que podem ser feitos dentro da Rede Vírus, iniciativa do MCTIC que reúne centros de pesquisa que estão procurando formas de combater o coronavírus.

Por: Daniel Mello | Fonte: Agência Brasil

Como preservar a saúde mental durante a pandemia

Organização Mundial da Saúde (OMS) publica documento que ensina a preservar o bem-estar diante do pânico gerado pelo aumento de casos do novo coronavírus

O bombardeio de informações sobre número de atingidos pelo novo coronavírus está causando estresse e ansiedade

As epidemias costumam provocar um pânico generalizado na população, principalmente quando não se tem total conhecimento sobre a doença — é o caso da infecção pelo novo coronavírus (chamado de Sars-Cov-2). Esse tipo de situação pode abalar a saúde mental, causando estresse e ansiedade.

Por isso a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou orientações para preservar o bem-estar durante a pandemia. Os recados vão desde as atitudes que devemos ter com outros até maneiras de explicar a situação para crianças.

Seguir essas dicas ajuda indiretamente na prevenção, porque o risco de tomar atitudes sem embasamento científico — como passar vinagre em vez de álcool-gel nas mãos para evitar a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus — diminui se você estiver com a cuca fresca.

Separamos os pontos mais importantes do documento:

Não seja preconceituoso - Desde a descoberta do Sars-Cov-2, várias pessoas amarelas relataram situações de discriminação pelo fato de o surto ter surgido na China. Acontece que o ele é capaz de contagiar gente do mundo todo. No nosso país, inclusive, o primeiro afetado foi um brasileiro que voltou de viagem da Itália.

Portanto, não ataque ninguém de etnias e nacionalidades diferentes da sua, estejam elas infectadas ou não.

Não rotule os indivíduos atingidos - A OMS defende que se referir a um paciente como “caso de coronavírus” ou à sua família como “família Covid-19” é uma forma de desumanizá-las em uma situação difícil. Não esqueça que, após a melhora, a vida deles continuará normalmente.

Em vez disso, procure usar termos como pessoas “que têm Covid-19”, “em tratamento contra a Covid-19” e “se recuperando da Covid-19”.

Evite o bombardeio de informações - A todo momento surge um dado novo sobre casos confirmados do coronavírus, o que leva os noticiários a lotarem sua programação de reportagens. Apesar de ser importante procurar conhecimento, o fluxo constante de notícias gera preocupação e estresse.

Sentiu que os sites e jornais estão te deixando ansioso? Tente se informar em momentos específicos, de uma a duas vezes ao longo do dia. E foque naquilo que ajudará a tomar atitudes práticas para prevenção. Essa, aliás, é a linha editorial de SAÚDE, como você pode notar nos nossos conteúdos sobre o tema.

Oriente as crianças e ensine a lidar com as emoções - Os pequenos precisam ficar cientes do que está acontecendo, especialmente se há alguém infectado em casa. Ao perceber que os pais estão estressados e ansiosos, eles reproduzem esse comportamento e acabam buscando mais apego ou sendo mais exigentes com os adultos.

Acredite: principalmente se estão em idade escolar, os meninos e meninas percebem que há algo diferente.

Dê uma explicação condizente com a faixa etária deles e mantenha a rotina o mais normal possível. Se seus filhos demonstrarem preocupação, ajude-os a gerenciar suas emoções e a aliviar a ansiedade.

Tenha paciência com os idosos - Essa é uma dica crucial, visto que os mais velhos são a principal população de risco para sofrer complicações da Covid-19. Ofereça recomendações claras sobre a prevenção da enfermidade e as repita quantas vezes for necessário, sempre de forma calma e respeitosa.

É bom lembrar que a turma que está isolada em casa ou no hospital tem maior probabilidade de se tornar ansiosa, irritada, estressada e agitada — sobretudo os com declínio cognitivo e demência. Nessa hora, todo apoio emocional e prático é bem-vindo, seja da família, seja de profissionais da saúde.

Cuidados com pessoas isoladas - Se porventura você precisar ficar em casa ou no hospital, tenha cautela com as notícias sensacionalistas e conserve o que for possível das suas atividades diárias. Apesar do isolamento físico, comunique-se com seus familiares e amigos por internet e telefone.

Nos períodos de maior estresse, foque nas suas necessidades e envolva-se em atividades que goste e ache relaxante. Se exercitar (mesmo que na sala), ficar com o sono em dia e comer alimentos saudáveis sempre é uma boa.

Lembre-se que as autoridades de saúde pública e especialistas do mundo todo estão trabalhando continuamente para garantir os melhores cuidados aos afetados.

Por: Maria Tereza Santos | Fonte: revista Saúde